sexta-feira, 19 de outubro de 2012


     Lisboa, 19 de Outubro de 2012
     Relatório Final:

Assim iniciei e vou dar fim ao meu projecto de identificação, a este caminho que desde o início foi construído e elaborado de modo a que o final fosse resultado disso mesmo. Agora vos digo e conto sobre esse percurso e sobre os resultados e conclusões que dele resultaram.
     Deste modo começou. Tenho de admitir que o arranque não foi fácil. Mas quando é? Um pouco baralhada e confusa, tomei uma posição e decidi arrancar. Arranquei assim para Monsanto onde explorei conceitos de textura, perspectiva, enquadramentos, espaços, planos, iluminações e movimento. Acompanhada e com algumas ideias em mente e registadas num caderno que me acompanha, comecei a aplicá-las num meio que se parece distanciar da capital. Surgida a ideia de integração na natureza, explorei-a,  e "escondi-me" nela e nas suas formas. Desde saltar, a correr e "construir", tudo se passou em Monsanto. Terminada a primeira sessão da qual resultaram 157 fotografias, muito foi aprendido e problemas foram detectados quanto à utilização da máquina. Não desanimada,  mas determinada, na aula tirei apontamentos  e esclareci algumas dúvidas de técnica ligadas à máquina. Assim, decidi arrancar para o segundo lugar que tinha em mente: Baixa-Chiado. De acordo com o ensinado na aula ligado à abertura do diafragma e à velocidade e obturador decidi experimentar e "conhecer" as luzes. Comecei no meu quarto, e nessa mesma noite parti para o tal destino já enunciado por mim. Explorei as luzes dos carros, dos prédios, das varandas e janelas, e claro dos próprios candeeiros. Contente com os resultados, e com mais 189 experiências, a meta já se encontrava mais próxima. Já perto do final  e numa última experiência relatada neste blog por mim explorei a transfiguração, cor, o contraste, movimento e ritmo. Na procura da alteração da realidade, e da criação de um próprio espelho resultou algo criativo e que, em conjunto, se transformou em algo muito interessante a meu ver. Passo agora a enunciar as fotografias por mim escolhidas e à sua explicação. Ao modo como se enquadram em mim, e me identificam como pessoa e ser humano.

   -"SOU"-
   Alguém que é. Cada um é, de modo individual e particular, alguém. Alguém que parece e quer algo, alguém diferente e especialmente único.
   Para mim o processo de "ser", é algo que não surge só porque sim, surge pelo que foi vivido, presenciado e motivado. Assim surgem diferentes sujeitos com distintas maneiras de ser e viver. Eu, como individua, sou e procuro ser atenta e concentrada, focada em objectivos e metas que me levarão ao "querer". Interessada e de olhos abertos ao mundo, vou, quase que coberta totalmente pelo pessimismo e desespero que o mundo insiste em viver, continuar a procurar ser quem sou. De certo modo tímida, tenho tendência para estabelecer uma barreira que me protege e evita que me magoem. Todavia, esta vai-se auto-destruindo, pois vai-se criando uma força natural em mim e dentro de mim que se revela e vai revelando na minha maneira de ser. Atenta ao que me rodeia, procuro ser quem sou, e deixar passar pela minha barreira, aqueles que de mim já fazem parte, que me fazem SER!


 -"PAREÇO"-
   A todas as pessoas parecemos sujeitos diferentes, pela maneira como nos conhecem ou não conhecem, ou pelo que deixamos que seja transparente aos olhos dos outros, ou não. Nós, e a nós próprios nos podemos iludir dizendo que parecemos algo ou alguém, tentando ser o que não somos, não sendo quem verdadeiramente somos. O nosso interior, revela-se de certo modo no nosso exterior, na nossa pessoa. A meu ver, todos se conhecem e sabem quando são verdadeiros com eles próprios ou com os que os rodeiam.
   É desta linha de pensamento que consegui chegar à conclusão do que pareço aos outros e a mim própria. Assim vos digo: pareço uma rapariga que caminha e trabalha para um objectivo, para um futuro, que independentemente da agitação, manifestação ou confusão que a rodeia, esta não pára. Procuradora e determinada, esta por onde passa, reflecte timidamente, quase que de modo transparente alguma insegurança que guarda para ela própria. Assim surge como uma bolha, um escudo, que embora frágil e quase imperceptível a faz esconder por vezes quem é, com quem não conhece muito bem. Mas, aos poucos o escudo ilumina-se, e, com vontade, avança e reflecte momentos de alegria marcadas num sorriso e riso que partilha com os que lhe são mais próximos. Tais reflexos marcados na bolha, vão levá-la ao "ser", acompanhada dos que a fazem "querer", dos que a fazem "romper"-à bolha.

  -"QUERO"-

  O que quero para mim? Para os outros? Para quem?
      Estabelecida e instalada a ideia do "querer" em mim e na minha pessoa, posso dizer que para querer é preciso ser. Após demarcada e circundada a ideia de quem é o próprio sujeito, surge um caminho que simultâneamente se separa em vários a que chamamos de escolhas, tomadas com base nos valores e na formação que nos foi incutida. Nesta questão de identificação pensei, imediatamente na ideia do futuro, que ao mesmo tempo reflecte o meu "SER" e "PARECER". Torna-se deste modo como um elemento comum, fundamental na minha identificação como ser-humana. Eu realmente quero chegar longe, quero vingar e partilhar tudo e todas as oportunidades que me foram dadas. Assim, até ficar roca, vou "berrar" e trabalhar nesta casca de árvore, que se vai construindo em meu redor. Tudo envolve trabalho, esforço e dedicação. Eu quero um bom futuro, eu quero sucesso  e isso está sempre presente em mim e nas minhas escolhas ou/e motivações. Assim grito através de uma árvore, pelo que tal como uma árvore cresce e evolui, das simples semente aos frutos, eu acredito que o mesmo acontece com o futuro. Constrói-se. 
   No final quero poder dizer "era isto que eu queria".


    

1 comentário:

  1. Gostei muito da postura que tiveste neste teu trabalho, que foi realizado com método, muito envolvimento e interesse.
    Sou “Interessada e de olhos abertos ao mundo, vou, quase que coberta totalmente pelo pessimismo e desespero que o mundo insiste em viver, continuar a procurar ser quem sou.” Acho bonita esta tua obsessão

    Quero: “Eu realmente quero chegar longe, quero vingar e partilhar tudo e todas as oportunidades que me foram dadas.” (…) “Eu realmente quero chegar longe, quero vingar e partilhar tudo e todas as oportunidades que me foram dadas. Assim, até ficar roca, vou "berrar" e trabalhar nesta casca de árvore, que se vai construindo em meu redor.” Gosto da tua energia e sente-se, é-te inerente.
    Foi muito interessante como conseguiste abordar as tuas imagens, não só pela vertente experimental da técnica, como também pela vertente semântica, simbólica e introspectiva.

    Espero que tenhas dado um passo em frente com esta tua experiência.

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