quinta-feira, 13 de dezembro de 2012






            "Esculpir, Criar, Moldar, Alcançar"- Marta Costa

                Como já se começa a notar os arranques não são comigo, e neste trabalho isso não foi excepção!  Inicialmente, quis experimentar o arame na construção de espaços volumosos mas ocos, vazios no seu interior. Todavia, tal não me satisfez da maneira que procurava. Foi nesta altura que decidi trabalhar não num, mas em dois projetos: uma escultura a pasta de jornal que seria realizada em casa e outra, na escola a gesso. Estava na hora de criar!
                 Após uma pesquisa pessoal, na procura de técnicas e processos, dei por mim e o arranque já se tinha dado. Posso desde já dizer que, a meu ver, este projeto foi muito interessante e diferente do que alguma vez pensei fazer. Hoje sei e sou mais! Ambos os processos foram trabalhosos à sua maneira. Na escultura de jornal, cujo ponto de referência fui eu própria, posso dizer que fiz um molde inicial na minha própria cara, onde após a aplicação de condicionador para cabelo, coloquei tiras de jornal coladas a farinha e água. Cerca de 1h /1h:30 depois de estar a secar com o secador, apontando para a minha cara, retirei a forma e metade do molde já estava feito! Tenho de confessar que não foi fácil, mas que esta descoberta de dar e descobrir forma foi revigorante, incentivante. Reforçada a máscara com cola branca, passei à parte de trás da minha cabeça. Coloquei uma toca e apliquei nela mesma as tais tiras por mim anteriormente referidas. Durante este processo de construção do molde, cortei jornal e fui fazendo a pasta de papel que iria dar volume a esse mesmo. Já com o molde feito, passei ao seu preenchimento com a tal pasta, para a qual foram precisas muitas tiras de jornal. Calquei  de modo a que as formas saíssem o mais realistas possível. Passado cerca de dois dias, retirei a tal pasta que agora já representava uma forma e apercebi-me  da quase inexistência de expressão. Depois de tanto trabalho, esta tinha de ficar melhor! Deste modo, pus mãos à obra e aperfeiçoei as formas de forma a conferir-lhes realismo. O que me diz esta escultura? Quase que adormecida e apoiada nela própria, esta reflete de modo não muito sério, descansando de olhos fechados com um rosto calmo e sereno. Surpreendida e agradada com o resultado, podia já dizer: "Já fiz uma escultura!".
                   Durante todo o procedimento e caminho por mim anteriormente descrito, ocorria outro do mesmo grau de importância, a escultura a gesso. Nunca antes tinha trabalhado com gesso ou goivas e posso hoje dizer que gostei muito! Como surgiu? Comecei por construir uma estrutura a jornal e cartão que me ajudaria a dar início ao meu busto. Finalizada a tal estrutura mergulhei-a em gesso e após a secagem deste, retirei o que, por trás, dava "enchimento" à forma. Aplicada mais que uma camada de gesso, para que este fosse um busto forte e não frágil, estava na altura de esculpir, de encontrar a minha forma, a forma que queria e procurava. Comecei pelo nariz e pela zona dos olhos, traçando desde essa altura uma expressão forte e definida. Na aula seguinte passei à boca, fina e de cantos baixos poderia parecer revelar alguma tristeza. Faltavam os olhos, essenciais à expressão. Fechados levemente e de formas dadas ao contorno da cabeça a minha escultura, já lixada, estava assim terminada. O que me diz? Esta escultura, de rosto fixado e concentrado, de olhos fechados mas focados, tem um objetivo, um dever, quase que uma missão. Ela quer, e tem de conseguir, não se deixa desconcentrar ou desviar prioridades. No final, penso que posso dizer que, quem sabe, esta escultura pode, representar ou ser o meu retrato psicológico.
                  Em suma, posso finalizar dizendo que, na minha opinião, este trabalho foi do agrado de todos e permitiu-nos exceder-nos a nós próprios, ultrapassar-nos. "Já fiz duas esculturas!"



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