sábado, 13 de abril de 2013



             - Observação e interpretação de imagens -

                                                                                        1ª imagem: 

                                                                                      Título: "Solidão" /"Sozinho com ele próprio";

                 Esta é uma imagem que me suscita algum surrealismo. É demarcada por uma figura central, marcada por uma linha de força num plano aproximado. Dá-me a ideia de solidão, uma ideia de que se encontra com ele próprio e que aos poucos, essa solidão o vai consumindo. Assim o fumo, a meu ver, representa uma parte do sujeito que, ele próprio ou a vida o vão destruindo e fazendo desaparecer. A personagem encontra-se hirta e quase que parece distante do que a rodeia. Vive com ele ou sem ele? Será que vive sequer? 



     2ª imagem:
           
           Título: "Entrelaçados"/ "Instinto";
              
       Esculpida, ganhou uma forma, ou um conjunto delas? É desde logo notória a maneira como os dois se agarram e se apoiam um no outro. Revela, a meu ver, quase que um desespero e medo ou receio de perda, de separação. Conjunto de fitas prendem e fortalecem esta relação de força e envolvimento. Apesar de tão íntimos, surge um certo mistério, dado pela necessidade de ambos os rostos estarem cobertos. Agora pergunto, estas fitas que de modo suave caem, estão a revelar ou a esconder? Irão os rostos surgir no observador? Talvez esta escultura represente uma relação proibida, um segredo que poderá ser ou não revelado. De uma maneira ou outra , a linguagem corporal é forte, e há sem dúvida o instinto de protecção.


   3ª imagem:

      Título: "Olhar duplo";

Uma mulher encontra-se a boiar sobre uma água calma e estática, que insinua uma calma quase que assustadora. Tal como na água, há um paralelismo de sensações que se reflectem também na mulher. Um olhar fixo e directo num só ponto ou área. Pode-se dizer que este olhar é duplo, pelo que tal como ele, surge uma outra mulher, que observa as profundezas, observa de modo atento outro ponto. Quem sabe se estes pontos não se unem e constroem um indivíduo, uma ligação? As mulheres fundem-se numa só, o que leva todos a crer que são a mesma. Deste modo o próprio senso comum é posto em causa. Será que é tudo como vemos? Se assim fosse, a vida era automática ... ou somos nós quem a automatizamos?
                    

 4ª imagem:
   Título: "Um vidro com fim";

Tudo parece surgir como uma ilusão, um sonho, uma aparente visão da realidade. No centro da imagem surge o tronco de uma mulher que não se parece querer revelar na sua totalidade. Deste modo, estabelece uma ligação com o meio onde se encontra, mistério. O seu rosto não surge, o que revela uma tentativa de protecção da individualidade. O facto de aparecer no centro e pela sua linguagem corporal, a personagem sugere uma posição forte. Vai-se desvanecendo, desaparecendo, como que uma escolha que fez por algo que já passou e a afectou...ou que agora começou? Translúcida, deixa ver para além de si, há uma sugestão de integração. Protege-se a si própria, num espaço que conhece, num espaço do qual pode sentir medo. É assim como um vidro transparente que protege, mas deixa ver, que aparenta não estar lá, mas está, que pode estar sujo, riscado, magoado ou danificado. Os vidros funcionam como escudos, e tal como eles envolvem o cenário, ela própria decidiu colocá-lo nela como uma barreira, como uma maneira de ditar um fim ou um começo.  

                                                                                   
     5ª imagem:
          Título: "Vendados";

  Aparenta representar uma zona abandonada como que um beco, escuro, mas iluminado, para os quais se dirigem, em ângulo picado ferros que aparentam ser corrimões. A parede já com algumas zonas danificadas demonstra vivências. Já houve vida, momentos e natureza nesta zona, neste local. E agora, a questão que nos paira na cabeça: para onde nos levam estas escadas ou rampa?
   Tal escuridão pode representar mistério, o que poderá haver de tão bizarro? Tantas coisas que podem ser, tantas leituras que existem. Como que numa rampa de lançamento para a vida, surgem obstáculos e momentos mais escuros, para os quais temos de estar preparados para colocar um pé à frente do outro e enfrentar o que nos assusta e amedronta. Iremos cair? A escuridão não nos deixa ver o futuro, venda-nos e cobre-nos a vista e assim temos de estar preparados para cair e lutar pela luz e claridade das coisas para que estejamos preparados para a luta que a vida representa.



         6ª imagem:
          Título: "Amarrados e cercados pelo medo";

   Uma manta e cordel constroem esta imagem, dada por um volume coberto e escondido. Apertado e atado surge uma forma que aparenta querer sair, libertar-se. Será possível? Uma vez cercados, sentimo-nos amarrados, vigiados e desorientados. Havemos de ir para cima, para baixo, teremos de cavar para procurar? O calor apodera-se de nós, transpiramos no meio da escuridão que nos assusta e não nos deixa lutar para fora do que nos cerca e amarra. Assustados? Por vezes. O medo surge como consequência do que nos rodeia. O medo é receio, o medo é nosso, o medo é próprio, o medo assusta-nos, o medo prende-nos.

                                                                                   
                                                                                      7ª imagem:
                                                                                         Título: "Em formação";     

    Uma mancha, duas manchas? Sinuoso e meio oval, vai-se desenvolvido e formando uma forma que nos parece quase como uma criatura ampliada. Como tudo na vida, as coisas vão-se formando e surgindo, crescendo. Crescer faz-nos conhecer e aparecer, primeiro a nós próprio, e só depois aos outros. Esta é uma forma que não nos é óbvia ou directa. Com cores semelhantes, parece que ainda não está completa, mas que se encontra em formação. Parece que um ser surge dentro do outro, distinguidos pela cor. Dentro de um, forma-se outro, influenciado e talvez até encaminhado, cresce e segue o outro, o exemplo que o agrada, a imagem que procura ser. Simples mas definida, tem uma ideia, um conceito! Está definida ou por definir?

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