terça-feira, 4 de junho de 2013


       OFA-  Vídeo Final - Exploração de Linguagens



            Como sabem este foi um trabalho que foi inspirado noutro inicial. Começámos o ano com a explicação do que iríamos fazer e um trabalho de escrita subjectiva, que iria ser o nosso ponto de partida para este. Foi a partir de 7 imagens que tudo começou. Poemas, frases soltas, palavras, simples versos, pequenas prosas. Após esta primeira fase passámos à criação, à procura e pesquisa da forma. 
            Guiei-me principalmente pelos títulos que atribuí às imagens, já publicado aqui no blog. Esses títulos foram: "Solidão/Sozinho com ele próprio", "Entrelaçados/Instinto", "Olhar duplo", "Um vidro com fim", "Vendados", "Amarrados e cercados pelo medo" e "Em formação".  Quando comecei a estudar estes títulos apercebi-me de que, a meu ver, havia uma ligação dada pelas mãos, uma parte essencial do nosso corpo. Inicialmente decidi usar as mãos para representar e "dar" os temas, pela linguagem corporal, expressividade,  força, garra, velocidade, lentidão... De acordo com o desenvolver das ideias registadas em suporte de papel, apercebi-me de que outro modo de ligação das minhas ideias era o Medo. O Medo é algo que existiu, existe e sempre existirá. O Medo pode assustar-nos e prender-nos ou, pelo contrário, ser usado como uma forma de estímulo e luta por nós próprios, tornando-o nosso e dominado. Definido o tema, como consequência da pesquisa, estudos, registos e "rabiscos" passei à prática.
             Tratei o tema como meu, com experiência empírica e de modo pessoal. A meu ver, o Medo é como um ciclo que começa de um modo e acaba de uma maneira ou outra de acordo com a nossa luta. No meu filme este aparece desfigurado, deformado, sendo essa distorção dada pela distribuição das letras na própria palavara "MEDO"- "ODEM". O Medo vai surgindo na nossa vida como que em "flashes", meras imagens rápidas que, por vezes não nos deixam ver ou compreender a realidade. Formam-se realidades, formas de ver e viver, escolhem-se caminhos, representados pela construção de uma impressão digital, como que um caminho sinuoso, sempre presente e iminente em nós que se pode fazer ou desfazer.




  Não sendo o Medo algo simples ou fácil de aceitar, do mesmo modo decidi sobrepor planos, onde estabeleci ligações com os trabalhos de períodos anteriores. As fotografias de identificação, mas também a escultura na medida em que, tal como procurei dar forma à escultura, também o Ser-Humano deve moldar o medo, para que no final, a máscara nos deixe ver e possa cair. Tal como as mãos surgem, primeiro uma e depois outra, também surgem as duas hipóteses a que o Homem se liga: a prisão e o estímulo. Segundo esta linha de pensamento surge o tema da liberdade, em que nos desprendemos num instinto de protecção e velocidade, de aceleração e procura, mas não totalmente expostos algo protegidos por uma "casca de Medo". Posteriormente a esta luta há uma reconstrução, um recomeço, um molde que se constrói como uma vez já se viu. A pessoa reconhece-se, encontrou-se, venceu. Já transfigurado e alterado, ouve-se ainda uma voz...:"O Medo não pode ter tudo...". O dominado não se pode tornar o dominador.

                Terminado este projecto, posso dizer que consegui e desfrutei da utilização de várias linguagens: Palavra, linguagem Plástica, Vídeo, Stopmotion, Fotografia, Música e Voz Off. Penso que cheguei ao que me foi pedido, tendo conseguido fugir ao óbvio ou evidente e optado por uma versão muitos mais poética e subjacente. Obrigada!

                                                "A melhor forma de concretização pessoal, é o reconhecimento do esforço..." - Marta Costa



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